Solenidade da Santíssima Trindade – Leituras iniciais
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por Nilo Pereira

1ª Leitura (Provérbios 8,22-31)
A festa de hoje nos revela o aspecto específico da nossa fé: nós acreditamos em Deus Trindade. Mesmo sabendo que Deus é um só acreditamos que ele é o Pai que criou o universo e que o governa com sabedoria e amor; cremos que ele não permaneceu no céu, mas que, na sua imagem – o Filho – ele veio para este mundo e se fez um de nós; cremos que ele realiza o seu projeto de amor com a sua força – o Espírito -. As leituras de hoje nos ajudam a entender melhor este tema central da nossa fé.
A primeira leitura nos fala, através de imagens, do Pai e de sua obra criadora. Ensina-nos que antes de qualquer outra coisa, Deus criou a Sabedoria, uma criatura sublime que o Senhor colocou logo no seu lado, como uma filha inteligente e amável, e quis que ela acompanhasse e contemplasse todas as suas obras (vers.22-29).
Ao refletirmos sobre tudo o que acontece no mundo, na nossa vida, sobre tantas atrocidades cometidas, talvez tenha surgido dentro de nós o pensamento de que o universo seja fruto do acaso, que tudo se reduza a confusão, que nada tenha sentido.
Ocorre que somos como crianças que observam a construção de uma grande obra. Ao nosso redor só vemos desordem: montes de areia e barras de ferro, madeira, tijolos, sacos vazios, martelos, pregos espalhados por todos os lados. Só no fim, quando a obra está concluída, percebemos que aquilo que parecia só confusão, em verdade, fazia parte do projeto genial de um arquiteto extremamente competente.

2ª Leitura (Romanos 5,1-5)
Na primeira leitura nos é revelado que a sabedoria de Deus não só não receia contrair qualquer mácula, mas que até se sente impelida por um desejo incorrigível de permanecer no meio dos homens. Na plenitude dos tempos, com efeito, Deus entrou realmente no nosso mundo, tornou-se um de nós. Este Deus que se fez homem é o Filho, a imagem perfeita do Pai, é ele a sabedoria da qual nos falava a primeira leitura.
Por que Deus interveio na nossa história? Para justificar-nos mediante a fé em Jesus; por isso “nos gloriamos na esperança de possuir um dia, a glória de Deus” (vers.1-2). O que significa isso?
Diante dos próprios semelhantes, os homens se vangloriam das próprias capacidades, força, riquezas, conquistas. Mas diante de Deus, o que podem apresentar de valioso? “As próprias obras. Quando praticam o bem, ele os contempla com agrado; quando se comportam mal, merecem seus castigos” – responde alguém.
Quem alimenta estas convicções não pode se considerar cristão! O Filho veio a este mundo para ensinar-nos que o Pai justifica, isto é, que torna justos todos os homens, independentemente dos seus méritos. De que então podemos nos gloriar? Com certeza não de nossas boas obras, mas de alguma coisa infinitamente mais sólida e preciosa: o amor infinito e incondicional de Deus.