Maria de Nazaré, Mãe da Igreja e nossa Mãe

“Fazei tudo o que ele vos disser!” (Jo 2,5b)
Caríssimos leitores e leitoras: como é belo o mês de maio, mariano por excelência! Conhecido por ser o mês das noivas e das mães, é também o da Mãe de todas as mães! Nunca é demais refletir sobre a Virgem Maria e o privilégio de sermos contados entre seus filhos adotivos.
Faz parte da tradição da Igreja o amor à Virgem Maria. Desde o Concílio de Éfeso, realizado em 431, até o Concílio Vaticano II (1962-1965), o magistério eclesiástico produziu diversos documentos que apresentam reflexões e orientações sobre o culto mariano.
Entre tantos, destacamos a Carta Encíclica Redemptoris Mater, que trata da Bem-aventurada Virgem Maria na vida da Igreja que está a caminho, escrita por São João Paulo II, em 1987; a Constituição Dogmática Lumen Gentium do Concílio Vaticano II que, em seu capítulo VIII, tem como título: “A Bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja” (1964); e, por fim, a Exortação Apostólica Signum Magnum, consagrada ao culto da Virgem Maria, Mãe da Igreja e modelo de todas as virtudes, do Papa São Paulo VI (1967).
Na história da salvação, Maria é a Mãe de Deus por ter concebido, gerado e dado à luz Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Para que ela pudesse desempenhar dignamente sua vocação e missão, Deus concedeu a Nossa Senhora graças especiais. Ela foi concebida por sua mãe, Santa Ana, sem a mancha do pecado original. Foi cheia de graça, sempre unida ao Criador. Foi sempre virgem: antes, durante e depois do parto. Foi levada por Deus ao céu em corpo e alma.
A Igreja é a comunidade dos cristãos, que se unem e reúnem em Cristo. No seio do povo de Deus, os discípulos de Jesus têm a Virgem Santíssima como Mãe e modelo. É considerada a Mãe da Igreja e de todos os cristãos. A Igreja é o corpo místico de Cristo. Se ela é a Mãe da “cabeça”, que é Jesus, é também a mãe de todo o “corpo”, que é a Igreja.
No sacramento do batismo, cada cristão recebe a vida de Deus, a graça santificante, que o faz filho de Deus e irmão de Jesus. Se ele é irmão de Jesus pela graça divina, então é filho de Nossa Senhora e pode chamá-la realmente de mãe. Ao longo dos séculos a comunidade cristã sempre teve um carinho especial pela Mãe de Jesus. De acordo com os vários lugares, épocas e culturas, o povo cristão conferiu-lhe muitos títulos e expressões características.
Hoje, todos somos convidados a imitar as virtudes de Maria: sua fé e dócil aceitação do projeto de Deus; sua obediência generosa; sua humildade autêntica; sua caridade solícita; sua piedade viva para com Deus; seu alegre cumprimento dos deveres religiosos; seu espírito de oração e contemplação; sua fortaleza nos sofrimentos e desafios da história; sua delicadeza para com os outros; sua pureza sem mancha; seu casto amor conjugal; e sua esperança resistente.
Diz o Papa Francisco: “Alguém comparou o coração de Maria com uma pérola de esplendor inigualável, formada e limada pela aceitação paciente da vontade de Deus, através dos mistérios de Jesus meditados na oração. Que bom se também nós pudéssemos assemelhar-nos um pouco à nossa Mãe! Com o coração aberto à Palavra de Deus, com o coração silencioso, com o coração obediente, com o coração que sabe receber a Palavra de Deus, deixando-a crescer com uma semente do bem da Igreja” (cf. Audiência Geral – 18/11/20).
Portanto, no mistério de Cristo e da Igreja, Nossa Senhora ocupa um lugar importantíssimo e que enriquece a nossa fé. A Virgem de Nazaré “na Igreja, ocupa o mais alto lugar depois de Cristo e o mais próximo a nós (Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, do Concílio Vaticano II, n. 54). Conforta-nos saber que, ao lado de Jesus, está a santa Mãe de Deus, intercedendo por nós.
Cada um tem seu jeito de recorrer ao auxílio materno. Seja com o título de Fátima ou de Lourdes, do Perpétuo Socorro, do Bom Conselho, da Candelária ou do Desterro, seja à Mãe Aparecida ou à Senhora do Desterro, jamais deixemos de dirigir as nossas preces àquela até hoje proclamada como a “bem-aventurada aquela que acreditou, porque se cumprirá o que lhe foi dito da parte do Senhor” (cf. Lc 1,42).
E a todos abençoo.
Dom Vicente Costa
Bispo Diocesano