2º Domingo da Páscoa – Leituras Iniciais
por Nilo Pereira
Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia.
1ª Leitura (Atos dos Apóstolos 5,12-16)
A leitura descreve a vida da primeira comunidade cristã de Jerusalém. Antes de tudo, era uma comunidade viva: “eles estavam habituados a viver juntos” (vers.12). A fé cristã não pode ser vivida na solidão, no isolamento completo dos outros. O cristão não é alguém que se entende diretamente com o seu Deus. A Igreja não é o lugar onde os cristãos, individualmente, vão buscar as coisas de que necessitam para salvar a própria alma. Eles formam uma família, são solidários uns com os outros e, de alguma forma, sentem-se responsáveis por tudo aquilo que acontece com seus irmãos.
Os cristãos eram pessoas estimadas. “O povo lhes tributava grandes louvores” (vers.13). A vida daqueles que tinham abraçado a fé despertava interesse e admiração, porque decididamente era diferente da vida dos demais homens.
Era forte a atração que a comunidade primitiva exercia sobre todos: “cada dia aumentava mais a multidão dos homens e das mulheres que acreditavam no Senhor” (vers.14). Hoje qual é a influência que as nossas comunidades exercem sobre os que não têm fé? O que estimulava tantas pessoas a se tornarem discípulos de Cristo? “A multidão acorria, trazendo os doentes e todos eram curados”.
Observe-se que não se trata de prodígios extravagantes e estapafúrdios. Os gestos executados pelos apóstolos são os mesmos que Jesus executava: a cura dos doentes, a libertação de quem estava oprimido por algum mal ou que vivia em estado de infelicidade. Aí está a prova de que Jesus está vivo e que comunicou aos discípulos a sua mesma força renovadora!
2ª Leitura (Apocalipse 1,9-11a.12-13,17-19)
A leitura nos apresenta a visão com a qual se abre o Livro do Apocalipse. O autor, que se identifica como João, nos diz que está em Patmos, uma ilha no mar Egeu, Grécia. Foi desterrado por causa de sua fé em Cristo e, provavelmente, por sua recusa em prestar culto a Imperador de Roma, Domiciano, que exige dos seus súditos adoração e o título de “nosso Senhor e nosso Deus”
João vê alguém semelhante a um filho do homem no meio de sete candelabros, vestindo longa túnica branca até os pés, cingindo um cinto de ouro (vers.12-13).
O Filho do Homem é o Senhor ressuscitado. A longa túnica, que era a veste do sacerdote do templo, significa que agora Jesus é o único sacerdote. O cinto de ouro que traz era o símbolo da realeza. Jesus, portanto, é apontado como único rei. Os sete candelabros representam o conjunto das comunidades cristãs (o número sete indica totalidade).
Devemos lembrar também que no oriente, durante as cerimônias em homenagem ao imperador, todos se prostravam diante de sua estátua, colocada no meio de candelabros.
O sentido desta cena grandiosa: é o Senhor Ressuscitado, e não o imperador, o centro de adoração de todas as comunidades cristãs. É ele o rei que as conduz e governa com a sua palavra; é ele o sacerdote que, dando a própria vida, oferece o único sacrifício agradável a Deus.