Pe. Waldomiro do Prado Alvarenga
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Talvez exista, dentre os antigos ituanos, alguém que se lembre das pregações do padre Waldomiro Alvarenga, considerado um dos maiores oradores sacros de seu tempo. Convidado para falar durante as celebrações do centenário de nascimento de Madre Maria Theodora Voiron, a 6 de abril de 1935, emocionou os presentes, sobretudo as alunas do Colégio Nossa Senhora do Patrocínio com a eloquência com que disse as festejadas palavras em homenagem à fundadora da educação feminina católica no Brasil. O discurso foi publicado em jornais paulistanos da ocasião e a foto ilustra esta matéria.

Talvez o que marcasse tanto a sua oratória não fossem somente as bem escolhidas palavras do idioma que ele conhecia tanto. Era também a gesticulação das mãos, a entonação e dramaticidade que ganhava a sua voz quando queria emocionar e converter. Foi também um dos mais célebres pregadores do Sermão das Sete Palavras, da sexta-feira santa na igreja do Bom Jesus, a que chamávamos Três Horas de Agonia. Pelo menos em seis ocasiões, entre 1926 e 1939 ele subiu ao púlpito vestindo a célebre “capa preta”, como se usava àquele tempo, diante do cenário do Calvário para as pregações que lotavam a igreja. Certa feita, o padre Camilo Armelin, erudito professor, vendo que sua retórica não agradava a assistência, resolveu deixar a tribuna para que Alvarenga continuasse falando da Paixão de Cristo, para alegria dos ituanos de então.

Celebração do centenário de nascimento de Madre Maria Theodora Voiron.

Nascido em Paraguaçu (MG), a 2 de julho de 1884, ingressou na casa de formação dos jesuítas em Campanha na véspera do Natal de 1902. Contou com excelente aproveitamento na formação em retórica e humanidades. Após o curso de Filosofia na Universidade Gregoriana, em Roma, tornou-se professor no Colégio São Luís, chegando a Itu em 12 de junho de 1909. Lecionou língua portuguesa e inglesa. Seus alunos guardaram excelente lembrança do trato e boa convivência com o mestre. Após o curso de Teologia, na Inglaterra, foi ordenado padre e retornou ao Brasil.

Após cinco anos atuando como professor no Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro, Alvarenga deixou o magistério para se dedicar à espiritualidade. Atuou na igreja do Bom Jesus como diretor da revista Mensageiro do Coração de Jesus por três anos. Vivendo em São Paulo, tornou-se orientador espiritual e pregador de retiros, sobretudo em internatos femininos. Alvarenga era um homem de aparência distinta, que se impunha pela educação. Voltou a viver em Itu entre 1932 e 1939, pregador de todas as novenas e tríduos possíveis. Depois disso morou na igreja de São Gonçalo, em São Paulo e no Santuário do Sagrado Coração de Jesus, em Santos, até a década de 1950, quando dirigiu os congregados marianos.

Os últimos anos de sua longa vida passou-os em São Paulo. O padre Waldomiro Alvarenga veio a falecer a 21 de julho de 1972 cercado da admiração dos antigos alunos do Colégio São Luís que o visitavam com frequência.

Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica “Padre Luiz D’Elboux”