4º Domingo da Quaresma – Leituras Iniciais
por Nilo Pereira
Sugerimos que antes de lerem estes comentários, façam as leituras na Bíblia.
1ª Leitura (Josué 5,9a.10-12)
Antes de abandonar o Egito, os israelenses celebraram uma grande festa, a Páscoa. Fizeram vigília durante toda a noite, comeram o cordeiro e depois, estando ainda escuro, puseram-se a caminho em direção da terra que Deus prometera aos seus pais. Guiados por Moisés e protegidos pelo Senhor, atravessam o Mar Vermelho e penetram no deserto onde permanecem longos quarenta anos.
A leitura de hoje é a conclusão desta longa viagem. Depois de muito peregrinar, os israelitas acampam em Gálgala, na planície de Jericó. Finalmente estão livres e podem tomar posse de uma terra fértil. A cada família será destinado um pedaço de terra para cultivar: tirarão seu sustendo da agricultura e da criação de gado; não terão mais o maná e outros escassos frutos que o deserto oferece. Deus foi fiel às promessas feitas a Abraão. Para manifestar a própria alegria e a própria gratidão, os israelitas decidem então celebrar novamente a festa de Páscoa, como tinham feito seus pais na noite de saída do Egito.
A história deste povo é uma imagem do que acontece a nós cristãos. Como os israelitas, nós também fomos tirados de uma terra de escravidão, isto é, da condição de miséria e de pecado em que nos encontrávamos antes do batismo.
Como os hebreus festejaram em Gálgata a própria libertação, nós também celebramos, na Eucaristia, a salvação que obtivemos. Como o maná alimentou os que estavam a caminho da terra prometida, da mesma forma, nós nos saciamos na Eucaristia enquanto vamos ao encontro do Senhor que nos espera. Atingindo esta meta, não necessitaremos mais da Eucaristia. Ela cessará da mesma forma que na planície de Jericó o maná não caía mais do céu.
2ª Leitura (2Coríntios 5,17-21)
O tema desta passagem é a “reconciliação”. Esta palavra, que é repetida cinco vezes em poucos versículos, não significa só “entrar em acordo de novo”, “acabar com a inimizade”, “purificar-se dos próprios pecados”, implica também o nascimento de uma criatura completamente nova. A reconciliação com Deus não é o resultado da boa vontade e dos esforços dos homens, mas é obra de Deus. É Ele que toma a iniciativa de restabelecer a paz (vers.19).
Como acontece a reconciliação? Não se realiza mediante de ritos de purificação ou práticas acéticas (místicas). Mas através da palavra do apóstolo que é enviado a anunciar aquilo que Deus fez pelo homem. Este deve apenas permitir que a sua mente e o seu coração se abram para o dom que lhe é oferecido.
Plenamente consciente do valor imenso que ele anuncia, Paulo dirige aos cristãos de Corinto esta vibrante exortação: “Deixai-vos reconciliar por Deus! Abri o vosso coração para a mensagem que ele vos dirige através da minha palavra! É Deus mesmo que vos exorta por nosso intermédio” (vers.20).