Madre Teodora, exemplo de fidelidade (2)
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No auge de suas lutas íntimas, abre-se com a sua querida Madre Geral, vazando no papel a sua confiança infinita naquele que é a força dos corações atribulados: “O demônio redobra de esforços para nos abater. Mas a nossa coragem está em Deus, e aumenta com as dificuldades. Contamos apenas com a ajuda do Alto. Estamos persuadidas de que o bem não é tarefa nossa. Vejo todos os dias que nossa missão não é humana. Se tivesse cessado um instante de contar unicamente com Deus, não teria podido resistir às provas que devo sustentar. Nosso Senhor, em sua bondade, me dá nessas ocasiões uma força, um sangue frio que fazem calar a boca aos mais poderosos e atrevidos.”

Ao examinar suas reações, passada a tormenta, a própria Madre se espanta: “Com toda a minha timidez, com todas as minhas misérias, terei mesmo agido assim?”

Muita fortaleza lhe foi necessária para levar avante a tarefa sobre-humana que tem em vista. Para fundar e manter a Província brasileira, para abrir dezenove casas, entre colégios, hospitais e asilos, é preciso vencer muitos obstáculos, suportar dificuldades, contratempos e contradições, embaraços e má vontade, numa enervante e cansativa via crucis. Madre Teodora tudo enfrenta com aquela calma que é a maior expressão de sua força. Fiel à sua máxima de fazer o maior bem possível, mas sempre da maneira mais oculta, a ninguém revela as cruzes e tropeços que encontra pela frente. Forte e corajosa, mostra-se sempre despreocupada e resignada. Não atrai a atenção dos outros para o seu sofrer; antes, pelo contrário, ampara a todos que a cercam com uma palavra amável, uma palavra de fé e de conforto.

Sua fortaleza guia os seus passos até o fim da jornada terrena. Demonstra seu espírito forte na perfeita resignação e paciência com que suporta a última doença, que o Divino Esposo lhe consola e prepara para a eternidade feliz, onde gozará o prêmio reservado aos que souberam combater o bom combate.

“A velhice traz consigo um cortejo de enfermidades, que nos servem de auxílio para nos santificarmos. Felizes de nós se pudermos trabalhar até o fim. Trabalhar até o fim… Sim, mas não materialmente, porque a senectude não o permite, mas sim, trabalhar no aperfeiçoamento das virtudes que nos abrirão as portas do céu…

Conselho de mãe, que vale por uma lição viva de fortaleza, um encorajamento nas horas difíceis da doença e da velhice, um conforto nos momentos de solidão e abandono, um chamado de fidelidade à vocação.

Fidelidade à vocação… Graça preciosa, ardentemente pedida ao Senhor por Madre Teodora, todos os dias em seus colóquios com o Divino Mestre, em troca da oferenda muda de seus sacrifícios e abnegações…

Fidelidade à vocação… Bem incomparável, dádiva generosa de um Deus onipotente àquela alma forte, que sabe estar em Cristo a sua fortaleza, e, por isso mesmo, não teme ser confundido eternamente…

Fiel à sua vocação, é hoje o farol brilhante a iluminar a trajetória de milhares de almas, que o seu amor conduzirá à pátria dos bem-aventurados.

Maria Cecília Bispo Brunetti
25 de maio de 1957
Acervo – Museu da Música – Itu