Pe. Charles Marie Terrier
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A solenidade de Corpus Christi ganhou especial devoção no microuniverso do Colégio São Luís, com a celebração proposta pelo padre Terrier, uma procissão para levar o Santíssimo Sacramento nas suas dependências internas, como nos conta o Pe. Schwenk: “percorrendo o Santíssimo os corredores e recreios embandeirados, com acompanhamento dos padres e alunos entoando hinos sacros e rezando o terço, e tocando a banda colegial, com a bênção do Santíssimo nos ranchos das Divisões e soleníssima [procissão] de volta à Igreja.”
Charles Marie Terrier tinha uma longa história com Itu. Antes de todos os missionários jesuítas chegarem à nossa terra, ele já vivera aqui. Nasceu em Saint-Pierre-d’Albigny, na Savóia francesa, a 5 de outubro de 1830. Entrou para o seminário da sua diocese (Chambéry) e, ordenado padre, aos 27 anos foi indicado pelo bispo, Mons. Billiet, para servir de secretário particular ao bispo de São Paulo, Dom Antonio Joaquim de Melo. Terrier partiu da França a 10 de junho de 1858 acompanhando as primeiras religiosas da Congregação das Irmãs de São José que vieram a Itu fundar o Colégio Nossa Senhora do Patrocínio. Foi ele quem celebrou a missa de corpo presente da Irmã Maria Basília, falecida em alto-mar durante a viagem.
Por três anos Terrier serviu o bispo paulista, que era ituano, e morava mais em Itu que em São Paulo, em um sobrado na Rua dos Andradas, infelizmente demolido; acompanhou o prelado em suas viagens apostólicas pela diocese, atendendo espiritualmente as comunidades. Com a morte de D. Antonio, em 16 de fevereiro de 1861, padre Terrier foi nomeado professor de História e diretor espiritual do Seminário Diocesano de São Paulo; posteriormente foi professor de Teologia Moral. Durante dezesseis anos lecionou na capital da província. Prestigiado teólogo, acompanhou a Roma Dom Lino, sucessor de Dom Antonio na diocese de São Paulo, em 1876.
A proximidade com os membros da Companhia de Jesus o atraiu à Ordem e à vida missionária. Em 31 de agosto de 1880, pouco antes de completar cinquenta anos entrou à cidade eterna para o noviciado. Em 1882 iniciou atividades como missionário no Pará, onde esteve por dois anos. Outro biênio passou em Nova Trento, Santa Catarina, sempre com trabalhos espirituais. A 3 de abril de 1884, por exemplo, celebrava missa aos presos da cadeira em Florianópolis. Nessa época circulou pelo país dando retiros entre o Norte e o Nordeste.
Terrier chegou a Itu a 17 de setembro de 1886 para auxiliar o diretor espiritual dos alunos do São Luís com enorme interação com eles, dirigindo as Congregações Marianas. Atuou como missionário em outras cidades; em Santos foi um herói durante a epidemia da febre amarela, da qual também ele, atacado, quase veio a falecer.
Quando estava no Rio de Janeiro tratando de negócios do Colégio São Luís, Terrier foi vítima de uma “congestão cerebral” e veio a falecer em 23 de fevereiro de 1891.

Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica “Padre Luiz D’Elboux”

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