Estoril teve tri de Lauda, primeira vitória de Senna e tetra de Prost
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Há exatos 24 anos, no dia 24 de setembro de 1996, foi disputado pela última vez, o Grande Prêmio de Portugal, que volta neste ano ao calendário, em Portimão. Realizado inicialmente na virada para os anos 1960 em Monsanto e na cidade do Porto, a etapa portuguesa da Fórmula 1 teve como palco mais marcante o Autódromo do Estoril. Foram 13 provas realizadas na pista.
Construído em 1972 por iniciativa da empresária Fernanda Pires da Silva, o circuito foi projetado pelo engenheiro e arquiteto brasileiro Ayrton Lolô Cornelsen, o mesmo que idealizou os traçados de Curitiba e de Jacarepaguá. O terreno escolhido foi um planalto nas proximidades da freguesia do Estoril, no município do Cascais, e o traçado tinha uma grande reta e curvas de média e baixa velocidades.
No começo, eram disputadas corridas locais, mas aos poucos as competições internacionais começaram a chegar ao Estoril, como a Fórmula 2 – em 1977, Ingo Hoffmann sofreu um famoso acidente no fim da reta oposta – e o Mundial de Kart de 1979, que teve Ayrton Senna como vice-campeão. Porém, o autódromo foi adquirido pelo governo, e a manutenção ficou prejudicada.
Em 1984, a etapa decisiva da temporada estava prevista para ser disputada num circuito nas ruas de Fuengirola, na Espanha. Mas a organização não levantou a grana necessária, e uma reforma-relâmpago colocou Estoril à disposição para receber a F1. Isso aconteceria ininterruptamente até a temporada de 1996.
Tricampeonato
do gênio
Em 1984, num ano dominado pela McLaren, Niki Lauda e Alain Prost chegaram à decisão do título na última prova da temporada. Lauda precisava de um segundo lugar mesmo que Prost vencesse, e foi isso que aconteceu, mas não foi fácil.
O francês largou na primeira fila e assumiu a ponta nas primeiras voltas, enquanto o austríaco partiu da sexta fila e teve de lutar para ganhar posições. Até chegar ao terceiro lugar, Niki não teve problemas, mas ele teve de contar com a quebra de Nigel Mansell (Lotus) para conseguir o segundo lugar que precisava. Lauda tricampeão, meio ponto à frente de Prost, na menor diferença entre campeão e vice na história.
Primeira vitória
inesquecível
Na segunda edição do GP de Portugal no Estoril, em 1985, Ayrton Senna foi soberano. Conquistou a pole position e, sob um temporal, despachou todos os adversários. O brasileiro colocou uma volta de vantagem sobre todos os adversários exceto o segundo colocado Michele Alboreto (Ferrari).
Uma performance monumental, coroada com o Grand Chelem, ou seja, com pole, melhor volta e vitória de ponta a ponta. Foi a primeira de 41 vitórias do tricampeão.
Recordista de
vitórias
Em 1987, Alain Prost não conseguiu defender o bicampeonato, mas teve um grande motivo para festejar: no Estoril, o francês alcançou sua 28ª vitória e quebrou o recorde de Jackie Stewart. Depois da uma troca de pneus, o piloto da McLaren começou a encostar em Gerhard Berger (Ferrari), que sentiu a pressão e rodou a três voltas do fim. Prost terminaria sua carreira com 51 vitórias.
Harmonia quebrada
Em 1988, Prost já dividia a equipe com Ayrton Senna, e a harmonia da McLaren foi quebrada no Estoril. Após espremer o brasileiro na grama na largada, o francês viu o rival tomar-lhe a ponta. Na volta seguinte, emparelhou com o brasileiro, que não teve dúvidas em espremer o francês no muro dos boxes.
Prost completou a manobra e tomou a liderança para vencer confortavelmente, enquanto Senna, com problemas, foi o sexto. No fim, Ayrton se sagraria campeão.
Disputa inútil
O GP de Portugal de 1989 também foi amargo para Ayrton Senna. Em segundo lugar na prova liderada por Gerhard Berger, o brasileiro era pressionado por Nigel Mansell, que, no entanto, já estava excluído por ter engatado a marcha-a-ré nos boxes durante o pit stop.
O inglês atacou o brasileiro, que não cedeu, e o choque foi inevitável. O Leão jurou por tudo o que era mais sagrado que não viu a bandeira preta, agitada pelo diretor de prova insistentemente. Os pontos perdidos por Senna foram decisivos para a perda do título para Alain Prost, segundo na prova.
Trapalhada custa caro
Dois anos depois, já de volta à Williams, Mansell teve outro pit stop atrapalhado no Estoril. Desta vez, o Leão foi liberado para voltar à pista quando um dos pneus ainda não havia sido trocado. É claro que o pneu saiu pererecando pelos boxes, enquanto Nigel socava comicamente o volante.
Os mecânicos ainda recuperaram o pneu e o colocaram no carro no meio do pit lane. Mas é claro que a operação tinha sido irregular, e Mansell foi desclassificado. Desta vez ele voltou aos boxes em segurança após receber a bandeira preta. Riccardo Patrese venceu, e Ayrton Senna, em segundo, deu grande passo para o tri.
Que susto!
Em 1992, enquanto Nigel Mansell disparava para mais uma vitória, Gerhard Berger e Riccardo Patrese disputavam o terceiro lugar, quando o austríaco derivou para a direita na entrada da reta dos boxes porque faria o pit stop.
O italiano não percebeu e tentou pegar o vácuo, mas, quando Berger tirou o pé para entrar nos boxes, houve o choque, e o carro de Patrese decolou. Por sorte, a Williams caiu do lado certo, e o italiano apenas levou um grande susto.
É tetra!
Dois dias depois de anunciar a sua aposentadoria das pistas, Alain Prost se sagrou tetracampeão mundial com um segundo lugar no GP de Portugal de 1993. O francês não fez uma das provas mais inspiradas e contou com os abandonos de Ayrton Senna (motor) e Mika Hakkinen (acidente) para ficar em segundo.
No fim, Prost encostou em Michael Schumacher, mas o alemão se defendeu bem para vencer pela segunda vez na F1. Mas a festa era mesmo para Prost, o novo tetracampeão.
“Passão” em
Schumacher
Damon Hill poderia conquistar o título mundial no Estoril, na penúltima corrida da temporada de 1996, mas quem deu show mesmo foi seu companheiro de equipe Jacques Villeneuve.
Único capaz de impedir o título de Hill, o canadense fez uma ultrapassagem memorável sobre Michael Schumacher, por fora, na Parabólica e depois partiu para cima do inglês. Villeneuve se tornou o último vencedor da história do GP de Portugal

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