Prece à Virgem do Carmo
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Por Altair José Estrada Junior

Ao lado do imponente Flos Carmeli entoado a quatro vozes, a súplica de São Simão Stock, com seu comovente solo Diletissime Fili, talvez o canto que mais marca a novena de Nossa Senhora do Carmo em Itu seja a tradicional Jaculatória, que infelizmente já raramente é executada nas celebrações. Tanto em sua versão em solo, mais reflexiva, quanto na soleníssima versão a quatro vozes, de Spernetti, a Jaculatória à Virgem do Carmo é a sentida prece de seus filhos no encerramento de cada um dos nove dias, enquanto o sacerdote incensa a sua maternal imagem, sentada, qual uma mãe a ensinar, zelar e esperar por seus filhos.
Neste ano de 2020, em razão da pandemia que vivemos e da quarentena que nos foi imposta pelas autoridades civis, não poderemos oscular pessoalmente aquela querida imagem, nem a acompanhar em procissão pelas ruas da cidade, à luz de velas e ao som de orações e cantos, dos sinos do campanário carmelita e das marchas executadas pela banda de música. Mas poderemos dirigir-lhe a devota prece de filhos que a amam, a querem imitar e invocar como protetora e intercessora…

“Senhora do Carmo, Mãe dos Carmelitas”
Sois a Virgem Mãe e Esplendor do Carmelo, a Mãe dos Carmelitas! A Senhora que séculos antes do nascimento já de alguma forma deu-se a conhecer ao Profeta Elias, grande inspirador da Ordem do Carmo, e se fez venerada no Monte Carmelo, em Israel, pelo grupo de monges que mais tarde se tornaria a Ordem dos Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Sois a Mãe dos Carmelitas. Dos frades da Ordem Primeira, das religiosas da Ordem Segunda e dos leigos e leigas da Ordem Terceira. Sim, mas não somente destes. Sois Mãe de todos os Carmelitas que devotamente revestem-se do santo Escapulário, “sinal especial de minha amizade fraterna, privilégio para ti e para todos os carmelitas”. Mais ainda, sois Mãe de todos os que a têm por rainha e modelo.

“Socorrei as almas que vivem aflitas”
Virgem do Carmo, bem sabeis o que é o sofrimento; bem sabeis o que é a aflição. Vós que sentistes a dor de uma espada a lhe transpassar a alma, neste vale de lágrimas, lançai vosso inefável socorro sobre o mundo que padece sob a indiferença, a desilusão, o ateísmo e o pecado. Sob a maldade, a violência, a dominação ideológica e a mentira. Sob a ganância, a solidão, a guerra, o vício e a doença. Amparai e socorrei – “Videira Florida” – essas almas que lhe foram entregues ao pé da cruz por seu Filho Divino e aliviai as suas aflições, devolvendo-lhes sentido à existência e conduzindo-as, mesmo em meio a um sofrimento muitas vezes incontornável, a Cristo Nosso Senhor.

“Senhora do Carmo, Virgem Maria”
Virgem do Carmo, concebida sem pecado desde o primeiro instante de vossa santa conceição, que entre todas as mulheres fostes escolhida para ser Mãe do Filho de Deus Humanado. Em função da mesma sublime prerrogativa com que foste agraciada, sois perpetuamente virgem, antes, durante e depois do parto, o que também a preservou – Cheia de Graça – das penas a que são submetidas todas as demais criaturas em razão do pecado original.

“Vinde em meu socorro na última agonia”
Virgem do Carmo, bem sabemos o quão delicada é a proximidade da morte aos que vivem distantes ou apartados de seu Divino Filho. Lançai um olhar maternal sobre todos naquele derradeiro momento em que nos despedimos deste mundo para ingressarmos na eternidade. Jamais a agonia nos encontre despreparados. Livrai-nos da morte súbita que a muitos pode representar a desgraça eterna.

“No transe horrendo da morte, valei-nos, compadecida”
Virgem do Carmo, por maior que seja nossa fé – e bem sabemos que não é – sempre será terrível o momento da proximidade do encontro com Deus, juiz misericordioso mas inexorável. Dai-nos, compadecida, serenidade e paz para enfrentar tão difícil momento e, enfim, descansar suave e confortavelmente nos braços do Senhor.

“Para que com Vosso Filho gozemos da eterna vida”
Virgem do Carmo, vencido o transe da passagem, dai-nos a graça da vida eterna em companhia do Deus Altíssimo, em vossa amável companhia – “Esplendor do Céu”, dos santos e santas e de todos os que nos precederam na fé. Possamos, com toda a Igreja Triunfante, ingressar alegremente na glória eterna, único fim de nossa existência, e todos juntos cantar glórias ao vosso nome.

Amém.

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