Um pároco músico
Mesmo antes da morte do pároco padre Felix Nabor de Camargo, em 1730, já vivia em Itu o seu substituto, padre Miguel Dias Ferreira, desde 1727 na função de Vigário da Vara. Era natural de São Paulo, onde nasceu em 1693, filho de Gaspar Cubas Ferreira e Josepha de Oliveira.
Esse padre Miguel se mudara para uma chácara em Itu, talvez com escravaria e alguma produção, na companhia de sua mãe e uma irmã, Margarida Maria, tida como beata. Esteve também antes na função de coadjutor, colaborando no atendimento espiritual das comunidades em sítios da vasta vila, territórios que se estendiam às terras dos atuais municípios de Porto Feliz, Salto e Indaiatuba.
Foi pároco por três vezes, duas muito próximas, a primeira de 5 de outubro de 1731 a março de 1733 e, entre maio e dezembro de 1736.
No primeiro mandato houve uma complicada demanda junto à Coroa portuguesa, que ele precisou administrar: viviam carmelitas em Itu sem autorização para abrir um convento. Alguns devotos da Virgem do Monte Carmelo desejavam que continuassem aqui, mas os Franciscanos desejavam ser os únicos a viver de esmolas na vila de Itu. Diziam não haver recurso suficiente para dois conventos. Por fim, em 1735 foi autorizada, por El-Rei, a abertura de um Hospício de Nossa Senhora do Carmo, para estadia temporária dos frades. Estão aqui até hoje!
Padre Miguel era músico. Consta que atuou como harpista e cantor em cerimônias de exéquias. Devia ser mais um ganha-pão para o clérigo, que já vivia da sua côngrua de serviços ao Estado. Funerais solenes com missa ou lições cantadas eram encomendados aos músicos da terra. Por esse tempo era mestre de capela em Itu Antonio Corrêa Meireles.
Em 1742 padre Miguel Dias Ferreira voltará à testa da paróquia com outra interessante incumbência: inquisidor!
Veremos.
Luís Roberto de Francisco
Biblioteca Histórica “Padre Luiz D’Elboux”