No tempo do padre Medeiros

Os primeiros anos da década de 1950 foram, ainda, época do apogeu da vida social em torno do Catolicismo em Itu. As sementes, plantadas nas décadas anteriores, frutificavam em grande estilo, paroquiato do padre Joaquim Clemente Bueno de Medeiros (1898 – 1972), que esteve em Itu por dez anos, entre 1944 e 1954.
Ainda existiam velhos ituanos, remanescentes da época de padre Elisiario, que viram renascer as Irmandades do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora da Boa Morte, gente que tomou parte do Círculo Católico e das Conferências Vicentinas. Esses grupos tomaram novo fôlego, organizavam celebrações, patrocinavam festas e movimentavam a vida religiosa da cidade que só contava uma paróquia.
Os jovens ainda aderiam às Congregações Marianas e à Pia União das Filhas de Maria. Uma paróquia vibrante e repleta de festas contava com um semanário, arauto dessa realidade envolvente.
Grandes festas mobilizavam multidões, novenas, missas solenes, procissões e quermesses tomavam a vida social e religiosa na região central da cidade. A Federação anunciava os programas tomando página inteira, anunciando pregadores que vinham de São Paulo, missões de redentoristas e franciscanos, preparação que era anunciada, passo a passo, pelo jornal. As principais festas desse tempo, na Igreja Matriz eram a da padroeira, a Semana Santa, Santa Rita e o Divino Espírito Santo. Esta celebração ainda contava com os elegantes impérios montados em casas de família próximas à igreja, festeiros que ofereciam animais para o leilão, desfile de carros de bois, carregando lenha à matriz, grupos de cavaleiros, tendo à frente o animadíssimo pároco, que vinha montado.
Na Igreja de São Benedito, a festa do padroeiro, no início do ano também reunia multidões. Em 1949, por exemplo, o noticiário d’A Federação se refere à festa com “um deslumbramento para olhos e enternecimento para alma (…) Escusado será dizer que nunca, São Benedito, na sua vida terrena se viu no meio de tantos devotos e tantas flores, pois o lindo andor era um perfeito jardim.” (09.01.1949)
Em 16 de maio de 1951, a imagem peregrina de Nossa Senhora do Carmo, celebrando os 700 anos do Escapulário visitou a cidade. Cerca de 150 automóveis foram acompanhá-la desde Salto, chegando ao convento de Itu. Foi um triunfo de fogos e uma multidão de gente à noite, tomando toda a praça. A edição de 20.05.1951 transcreveu todo o discurso do pároco, saudando os Carmelitas e a devoção do povo ituano. No dia 18 houve missa cantada por Dom Trindade, bispo de Botucatu e, no domingo, a celebração no antigo rito carmelitano, acompanhado de um coro de congregados marianos das igrejas do Bom Jesus e do Carmo. Apoteose católica na Semana Carmelitana, animada e noticiada pelo jornal (27.05.1951).
O fim do mandato paroquial do padre Medeiros coincide com o centenário do dogma da Imaculada Conceição, celebrado no Bom Jesus e no Carmo, encerrando o Ano Santo Mariano (05.12.1954 e 12.12.1954). No Colégio Patrocínio, inaugurava-se o maior espaço de eventos em Itu, o Salão Nobre.