Domingo de Ramos da Paixão do Senhor
Compartilhe

Coluna organizada por Nilo Pereira, segundo a exegese do Pe. Fernando Armellini, scj

Leituras iniciais do Domingo de Ramos

1ª Leitura (Isaías 50,4-7)
Na liturgia da Festa do Batismo do Senhor (8 de janeiro), um personagem misterioso aparece na segunda parte do Livro de Isaías. Trata-se do “Servo do Senhor” que hoje reencontramos e é ele mesmo que nos conta a sua história.
Começa dizendo que Deus deu-lhe a capacidade de expressar-se bem, falar de tal forma que consegue atrair a simpatia, a atenção e a adesão dos seus ouvintes. Este dom foi concedido porque foi-lhe dada uma missão delicada: “Transmitir uma mensagem a quem perdeu toda a confiança (vers.4)”. O Servo do Senhor sabe que, por ter ouvido a palavra de Deus, decorrem daí grandes responsabilidades, mas não tem medo das consequências da vocação para a qual foi convocado.
A segunda parte da leitura (vers.6-7) descreve o que o Servo do Senhor deve suportar por causa da mensagem que anuncia. Aquilo que ele prega em nome de Deus põe às claras injustiças, atinge aquele que vive explorando e oprimindo o outro, denuncia qualquer forma de corrupção política, religiosa e moral. Desencadeia-se assim, inevitável e violenta reação: o Servo do Senhor é flagelado, insultado e coberto de cusparadas (vers.6).
Este texto de Isaías faz lembrar com evidência aquilo que os soldados de Pilatos fizeram com Jesus (Mateus 27,27-31). Em tudo aquilo que aconteceu a esse “Servo” é fácil reconhecer também a história de todos os homens que queiram praticar e proclamar a justiça.
Por que a uma semana da Páscoa nos é proposta essa leitura? Não é só para mostrar-nos que em Jesus se cumpriram as profecias do Antigo Testamento, mas é ainda para fazer-nos compreender que todos os discípulos de Cristo devem reproduzir em si mesmos a figura do Servo do Senhor.

2ª Leitura (Filipenses 2,6-11)
Paulo amava muito a comunidade de Filipos (atual Macedônia, da antiga Iugoslávia). Havia ali pessoas simples e generosas às quais ele estava ligado por laços de profunda amizade. Entretanto, havia sempre alguém pretendendo sentir-se superior aos demais, querendo chefiar algum ministério. Enfim, todos queriam mandar um pouco.
Paulo sente então a necessidade de exortar os filipenses, apresentando o exemplo de Jesus Cristo, e o faz, citando em sua carta um hino muito lindo, que era cantado naquela comunidade. Esse cântico apresenta-nos a pessoa de Jesus e sua história: ele já existia na sua condição divina antes de fazer-se homem; encarnando-se, pôs de lado toda a sua grandeza divina e apareceu aos nossos olhos na humildade e na fraqueza do homem, do mais desprezado dos homens: o escravo a quem os romanos reservavam a morte na cruz.
O caminho percorrido por Jesus, porém, não se encerrou com a humilhação e morte na cruz. A segunda parte do hino (vers.9-11) canta a glória para a qual Jesus foi elevado; permitamos
que essa imagem de Jesus – humilde Servo dos irmãos – penetre em nosso coração nestes dias durante os quais celebramos o seu rebaixamento mais profundo (a morte) e o ponto culminante da sua glorificação (a ressurreição).