27º Domingo do Tempo Comum (Mt 21,33-43)
Diác. Edson Moura
Com. São Luiz Gonzaga
Ordinariado Militar
“ A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular”
Iniciamos o mês de outubro, o mês das missões, a Igreja nos convida a ser missionários no anuncio da Palavra de Deus e da pessoa de Jesus Cristo; neste sentido o Evangelho deste final de semana nos convida a ser trabalhadores da vinha do Senhor e mais do que isso que apresentemos frutos de amor, paz, justiça, bondade e misericórdia.
A parábola contada por Jesus é dirigida diretamente àqueles que eram os líderes religiosos no tempo de Jesus, que estavam numa situação cômoda, de autossuficiência e arrogância e deixaram de produzir os frutos necessários para aqueles que aceitam ser trabalhadores na vinha do Senhor.
Fica claro no Evangelho que a “vinha” é Israel, o Povo de Deus, o dono da vinha é Deus, os vinhateiros são os líderes religiosos encarregados de trabalhar na vinha e dar os frutos a seu tempo, os servos enviados pelo Senhor são os Profetas que os Líderes rejeitaram, mataram e o filho do dono da vinha é o próprio Jesus Cristo que também foi morto, neste quadro os líderes religiosos judeus não só não deram fruto como também fecharam-se a qualquer forma de diálogo com aqueles que foram enviados, os profetas e o próprio Deus em Cristo Jesus.
A resposta do Dono da vinha à recusa de Israel, na figura desses maus vinhateiros foi a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, glorificando-o e tornando-o a Pedra Angular de uma “nova construção” e também retirar a vinha desses maus vinhateiros e confia-la a outros que produzam os frutos necessários e entreguem ao Senhor a que tem direito, pois na maioria das comunidades cristãos de S. Mateus os judeus, primeiros trabalhadores da vinha do Senhor, eram minoria e recusaram-se a oferecer os frutos bons ao Senhor e também estavam fechados ao diálogo e compromisso.
Nós cristãos somos chamados pelo Batismo a ser trabalhadores da vinha do Senhor, e devemos ser coerentes com nosso batismo e também com o nome de cristãos, Deus não obriga ninguém a aceitar sua proposta de salvação e envolvimento com o Reino, mas quando aceitamos trabalhar em sua vinha, devemos dar frutos como toda boa árvore, frutos de serviço, bondade, paz, misericórdia, amor. A parábola nos convida a sair do comodismo e autossuficiência e levar a sério este compromisso com Deus que não compactua com “esquemas”. Nosso compromisso é de sinceridade e empenho? Tenho produzido frutos?
Na verdade, o que é decisivo para pertencer ao Reino de Deus, não é simplesmente ser batizado formalmente, pertencer a algum movimento ou pastoral, ser religioso ou religiosa, cumprir ritos e preceitos, que são importantes, mas quando nos levam a produzir “bons frutos” como trabalhadores da vinha do Senhor, frutos de amor, bondade, paciência, etc. Como tenho vivido minha caminhada de fé? Tenho produzidos os frutos necessários que me são confiados? Tenho escutado e vivido os conselhos do Senhor e assumido o compromisso cristão com coerência e vontade?
É provável que nenhum de nós conscientemente tenha rejeitado Jesus como os “maus vinhateiros”, mas quando nos deixamos levar pelo orgulho, prepotência, vaidade, fama, dinheiro e poder, deixamos de cumprir nossa missão de filhos de Deus e cristãos batizados de certa forma também estamos rejeitando a Jesus Cristo e o seu Reino. Estamos abertos a vontade de Deus? Subordinamos a nossa vontade à Sua vontade e que a Dele prevaleça? A radicalidade dos valores do Evangelho nos chama a sermos fiéis a Jesus Cristo e à sua missão, estamos abertos e atentos a este chamado?
Como comunidade cristã, nós homens e mulheres comprometidos com a “vinha do Senhor”, devemos ser missionários produzindo bons frutos e testemunhando o amor de Deus a todos os nossos irmãos e irmãs, a começar pela Igreja Doméstica espalhando-se por todos os lugares, com gestos de amor, acolhimento, partilha e serviço, pois foi isso que Jesus Cristo veio propor, um Reino de serviço e amor ao próximo.
Neste mês das missões que sejamos missionários e missionárias comprometidos e atentos com o projeto de Deus e sua proposta de salvação, sendo sal da terra e luz do mundo em Sua vinha.