XX Domingo do Tempo Comum (Lc 1,39-56)
por Diácono José Marcos Nunes
Paróquia São Judas Tadeu
Solenidade da Assunção de Nossa Senhora.
“A Glória de Maria é nossa esperança!”
Neste domingo, celebramos a solenidade de Nossa Senhora da Glória. A Assunção de Maria ao céu, em corpo e alma, era chamada, no século IV, de “a dormição de Maria” (no sentido de passagem para outra vida). A Assunção de Maria ao céu é professada desde os primeiros séculos. Foi proclamada como verdade de fé pelo papa Pio XII, em 1950. No Brasil, a devoção a Nossa Senhora da Glória ou Assunção de Nossa Senhora é muito querida pelo povo.
Hoje, na solenidade da Assunção, renovando o memorial da Páscoa de Cristo e de sua Mãe Maria, o Espírito do Senhor nos faz pré-degustar a ceia da liturgia celeste. “Na liturgia da terra, nós participamos, saboreando-a já, da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual nos encaminhamos como peregrinos, onde Cristo está sentado à direita de Deus” (Sacrosanctum Concilium, 8). Alimentados pelo Corpo e Sangue do Senhor, seguimos a caminhada, da qual Cristo é “caminho, verdade e vida”.
Cantemos as maravilhas que o Senhor realizou por nós, fazendo Maria passar da morte à vida plena (Páscoa). Em Maria, Deus Pai nos concede um sinal de vitória de toda a humanidade pela morte e ressurreição de Jesus Cristo, nosso salvador.
Na comemoração de solenidade da Assunção de Maria, somos convidados a contemplar e render graças pela realização da Páscoa de Jesus Cristo na vida das pessoas vocacionadas para a vida consagrada: religiosos(as) e consagrados(as) seculares.
Maria, depois de seu sim aos desígnios do Altíssimo, põe-se apressadamente a caminho. A “boa notícia” do cumprimento das promessas de Deus faz a jovem Maria percorrer a região montanhosa para encontrar-se com sua prima Isabel. É a Boa-Nova que ultrapassa as fronteiras da Judéia e se espalha entre as nações. Da casa de Zacarias e Isabel, os pobres proclamam a misericórdia de Deus que, edificando sua tenda entre os humanos, realiza as promessas de salvação.
Encontram-se face a face duas mulheres. Ambas gestam e esperam o nascimento de uma criança. Isabel é idosa, estéril e com pele enrugada. Maria é jovem e virgem. Elas, de modo familiar, partilham das mesmas preocupações e do mesmo sonho. Felizes chegam ao discernimento da presença de Deus e se colocam a serviço de seus projetos. A ação divina geradora de nova vida inunda de alegria as gestantes. O encontro entre ambas se apresenta como uma porta; por isso, fechando-se o tempo da espera, abre-se o tempo da realização das promessas salvadoras. O que era pré-anúncio e expectativa agora é realidade.
Movida pelo Espírito Santo, Isabel intui a presença de Deus na gravidez da jovem Maria.
Desvela o mistério, a maternidade messiânica de Maria. Suas palavras se constituem em um hino de louvor proferido sob a viva experiência da presença do Messias em seu ventre: “Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre”. Maria é a abençoada porque traz em seu ventre a maior bênção da humanidade. Em Isabel e Zacarias, o Antigo Testamento se curva reverente e reconhece a nova humanidade (O Novo Testamento) no seio de Maria.